
Prémio Octávio Lixa Filgueiras prémio de investigação em cultura do mar Museu Marítimo de Ílhavo Iª Edição – 2012
O “Prémio Octávio Lixa Filgueiras” é destinado a galardoar autores de dissertações académicas ou de trabalhos de investigação realizados no âmbito vasto da cultura marítima-fluvial, nomeadamente nas áreas de História Marítima, Antropologia Marítima, Patrimónios Marítimos e Museologia.
O Prémio Octávio Lixa Filgueiras, instituído pelo Museu Marítimo de Ílhavo/Câmara Municipal de Ílhavo, destina-se a promover investigação relevante na área das Ciências Sociais dedicada a temas de cultura do mar. Pretende-se com este prémio invocar e divulgar a obra um dos mais distintos investigadores portugueses de temas de cultura marítima, o Prof. Arquitecto Octávio Lixa Filgueiras.
Ao instituir o Prémio Octávio Lixa Filgueiras, o Museu Marítimo de Ílhavo, através da sua unidade de investigação, o CIEMar-Ílhavo, pretende consolidar-se como instituição museológica assente em dinâmicas de investigação aplicadas a um projecto cultural capaz de interessar diversas comunidades de público. Ao instituir o Prémio Octávio Lixa Filgueiras, o Museu Marítimo de Ílhavo e a Câmara Municipal de Ílhavo pretendem divulgar e valorizar o arquivo pessoal do distinto investigador, que o Museu acolheu em 2007 sob a forma de depósito e, de 2012 em diante, em regime de doação.
Candidaturas até 31 de maio Entrega de trabalhos até 31 de agosto Atribuição do prémio a 16 de novembro Inscrições e informações: www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt

Os verdadeiros Heróis do Mar vão encontrar-se na Praia de Mira no próximo dia 26 de Maio de 2012
Num evento organizado pela Associação de Pesca Desportiva da Praia de Mira (e com os apoios e colaborações da Câmara Municipal de Mira e do CEMAR - Centro de Estudos do Mar) os verdadeiros heróis do mar do século XX português -- os Pescadores Portugueses da Pesca Longínqua do Bacalhau -- vão encontrar-se na Praia de Mira, no próximo dia 26 de Maio de 2012, no I Encontro de Pescadores da Pesca do Bacalhau, a nível nacional.
As inscrições podem ser feitas através dos números 914580995, ou 922220717, ou 231471670 (Associação de Pesca Desportiva).
O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), o Diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/Nova), o Presidente do Fórum Empresarial da Economia do Mar (FEEM) e o Presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) têm a honra de convidar V. Ex.ª e sua Ex.ma Família para participarem na Jornada comemorativa do Dia Europeu do Mar, sob o tema “Crescimento sustentável dos oceanos, mares e costas: crescimento azul” a realizar na sede da SGL (Rua das Portas de S. Antão, 100, em Lisboa) no dia 21 de maio de 2012 (2.ª feira), com início às 09h30.
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Por Manuel Costa e Tripulantes da Lancha Poveira
Actividade integrada no projecto “Património Marítimo – Aprender e Marear na Lancha Poveira” promovida no ano lectivo 2011–2012, pela Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, em parceria com a Professora Maria Luísa Salgado, da Escola EB1/JI do Século, Agrupamento Vertical de Escolas Cego do Maio.
Organização: Pelouro da Cultura-Biblioteca
Imagens das viagens anteriores por José Peixoto

A PRIMEIRA FAINA DA LANCHA por José Peixoto
Arrancaram os preparativos para a primeira saída do ano da lancha poveira do alto, “Fé em Deus”. No passado dia 21 de Abril a tripulação deu início aos trabalhos de manutenção, que se basearam na substituição de cabos da vela. Outra das operações foi o transporte do mastro e da verga para a água onde se vão embeber junto à lancha no ancoradouro. Estes equipamentos estavam guardados no hangar do Clube Naval.
Como se trata de uma embarcação tradicional, o mestre da lancha poveira, Agonia Areias, explicou, como no passado, os pescadores davam o nome a cada cabo substituído: “pusemos os cabos dos cassoiros novos, trata-se do cabo que agarra com alguma folga a verga ao mastro.
Os cassoilos são umas pequenas bolas de madeira, que armam em rosário no chicote do inçadouro, que rodam sobre o mastro quando se iça ou desce a vela. Foi substituído o cabo da testa que fica pela frente da vela e passa pelas malhas exteriores da asa, numa extensão de três a quatro metros. Este cabo nunca pode rebentar porque rasga a vela. Foi também substituída a escota que é o cabo que agarra a vela ao leme”.
A Voz da Póvoa (2 Maio 2012), p. 15.
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No dia 28 de Abril de 2012, pelas 16.00 horas, por ocasião do encerramento da exposição "Rialidades: A Ria de Aveiro no Olhar de Rui Bela" (exposição que tem estado patente ao público no Museu de Ovar, Rua Heliodoro Salgado, 11, 3880-232, Ovar, desde o dia 24 de Março de 2012) vai ter lugar nesse mesmo Museu uma palestra por Alfredo Pinheiro Marques (historiador e director do CEMAR - Centro de Estudos do Mar), sob o título "O Barco do Mar dos Litorais da Ria de Aveiro: O Mais Belo Barco do Mundo".
A emocionante conversa com três peixeiras de Póvoa de Varzim * Rose Mary Gerber **
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Póvoa de Varzim fica a cerca de trezentos e quarenta quilômetros da capital, Lisboa, e situa-se na região Norte de Portugal aonde cheguei para saber quem são as mulheres das pescas nesta localidade.
Devo dizer que meus deslocamentos e muitos contatos foram mediados por Manuel Costa, diretor da Biblioteca Municipal por Póvoa de Varzim, contato inicialmente sugerido por meu amigo antropólogo, Luis Martins.
Em Póvoa de Varzim, se os homens vão ao mar, pescam e trazem, são as mulheres que cuidam, limpam, arranjam, vendem; sabem tudo sobre o mar e a vida que ali se passa. Estas poveiras são chamadas peixeiras.
É sobre elas que vamos saber um pouco a partir das narrativas feitas por suas próprias palavras.
Trata-se, segundo ouvi das peixeiras, de um conhecimento adquirido por meio do aprendizado direto e continuo que, se por um lado é intra-gênero, passado de mulher para mulher; por outro é intergeração, pois se dá entre avós, mães, filhas e netas. Começam muito cedo, em torno dos nove, dez, onze anos, quando ainda “eram apenas crianças”, o que gerou em algumas uma revolta inicial; em outras uma paixão que as fazia “fugir para estar nesta vida”.
Trata-se de uma vida difícil por um lado, mas que, por outro, é a vida que aprenderam e que sabem viver.
Trata-se de afirmar categoricamente que sem as mulheres poveiras peixeiras, a pesca de Póvoa de Varzim não tem como ter continuidade, pois são elas que conseguem dar aos produtos que os homens pescadores trazem do mar, uma mais valia que só é possível com o beneficiamento, a limpeza e a comercialização de seus produtos.
Trata-se, pois, do fato de que o mundo das pescas não se constitui só do ato direto de pescar, de ir ao mar, mas de todos os momentos que acontecem assim que os pescadores chegam a terra e que as mulheres entram em ação.
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* Agradeço ao incansável senhor Manuel Costa, Diretor da Biblioteca Municipal de Póvoa de Varzim, e toda sua equipe de trabalho, pela recepção, gentileza, material cedido e contatos viabilizados. ** Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC), Brasil; funcionária da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri); e doutorado sanduíche em Portugal. Seu tema de pesquisa é sobre mulheres pescadoras.

Os Braços da Lancha por José Peixoto
“Eu levava sempre a minha ferramenta a bordo para dar um jeito a qualquer mazela da lancha”. É com estas palavras que José Maria, “o Zé-Zé do Museu”, recorda as viagens que fez como tripulante da lancha poveira.
José Maria da Silva Baptista nasceu na Póvoa de Varzim em 1944. Trabalhou no Museu da Póvoa de Varzim, onde se tornou amigo de Manuel Lopes. “Entre muitas outras criações fiz muitas miniaturas a representar as tradições poveiras. Trabalhei na montagem de muitas exposições no museu e na biblioteca, que na altura ficava na Praça Luís de Camões. O Manuel Lopes era director do museu e da biblioteca. A nossa amizade acabou por me levar para a lancha Fé em Deus”.
Como funcionário do museu e da biblioteca, José Maria recorda o tempo em que a lancha poveira era ainda um sonho: “o projecto da lancha não saia das mãos e da cabeça do Manuel Lopes. Quando se arrancou para a construção da lancha, só não vi o abate das árvores para a quilha. Todos os dias íamos os dois ver a lancha a aparecer.
O Manuel Lopes registava todos os passos da construção. Tirou fotografias desde o abate das árvores até ao último prego. Pedia para lhe ligarem do estaleiro quando estivessem a colocar as principais estruturas da embarcação, como a carlinga, as panas, escotilhas de proa e ré, o leme, o albaçuz e as chumaceiras.
Ainda participei no Ala-Arriba. Quem ia na lancha eram os pescadores mais velhotes. O Antoninho, que tinha pregado a primeira caverna na lancha Fé em Deus, foi o mestre do bota-abaixo. Na mesma hora passou o leme ao mestre Nia Preu”.
A Voz da Póvoa (11 Abril 2012), p. 15.
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