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Os Braços da Lancha - José Ferreira

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Os Braços da Lancha - José Ferreira
por José Peixoto

Desde o bota abaixo, em Setembro de 1991, que a lancha poveira do alto fez dezenas de viagens, algumas de longa distância, como a Expo98, ou a participação em encontros de embarcações tradicionais na Galiza.

Para que a lancha possa responder positivamente, há um grande trabalho de logística que antecede as viagens, como esclarece José Ferreira, um dos elementos da tripulação.

“Para a lancha sair todos os documentos tem que estar em dia, incluindo os seguros de toda a tripulação. É preciso verificar se todo o material de segurança está em ordem, extintores, bóias, coletes ou as cartas marítimas para a viagem. É preciso comprar comida e bebida para bordo e, com antecedência, reservar dormidas para os tripulantes”.

José Ferreira nasceu na Póvoa de Varzim em 1962 e é funcionário da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. A sua ligação à lancha poveira começou com os preparativos da viagem para a Expo98. “Nesse tempo a tripulação era constituída maioritariamente por homens do mar. O meu apoio foi todo nos bastidores. Na Expo, a lancha deu muito trabalho, teve vários incidentes, partiu o mastro, a verga, o leme e foi preciso substituir tudo. Na altura que o mastro partiu, o Manuel Lopes foi arrastado pela vela, partiu a bacia e foi hospitalizado. A lancha esteve na Expo cerca de quatro meses e sempre que havia uma actividade, a tripulação ia de autocarro até Lisboa. A partir daí, prestei sempre apoio a Manuel Lopes e agora a Manuel Costa, na preparação das viagens”.

José Ferreira recorda os primeiros passos como tripulante: “foi na inauguração do monumento ao pescador do bacalhau, nos terrenos do cais frente ao Casino. Nesse dia eram precisos mais braços. Foi a primeira vez que entrei na lancha como tripulante. Saímos da barra e fomos navegar na costa poveira. A partir daí nunca falhei uma viagem”.

O baptismo por mares galegos também não esquece mais: “fomos a Combarro e navegamos sempre num mar revolto. Alguns tripulantes enjoaram e passaram um mau bocado. Mas também houve um tripulante, o Franco, que foi sempre a dormir na caverna de proa, no meio das tralhas e sacos de roupa, o lugar mais difícil de suportar sem enjoar. Sem perceber que vento era aquele, que fazia erguer o mar à nossa frente com vagas que nunca tinha visto, fiquei descansado quando o Victor Castro disse que estávamos bem, que o vento era bom e a lancha estava a responder ao mar. Acomodei-me no meio de uns cabos junto ao mestre e fui ali toda a viagem”, recorda José Ferreira.

Outra viagem que José Ferreira não esquece foi a Ferrol, onde aconteceu de tudo: “depois de passar o Cabo Finisterra perdemos a hélice do motor. No pequeno porto de Finisterra a lancha abriu uma fenda e começou a meter água, foi preciso o mestre, o Carlos e o Victor calafetá-la e pregar umas tábuas. Veio toda remendada, mas nunca mais meteu água. Frente a Esposende, com um bom vento norte a fazer a lancha bolinar a toda a força, o mastro partiu e mandou-se com a verga e a vela à água. Com uma intervenção rápida da tripulação, tudo voltou para dentro da lancha”.

Entre navegar e dar apoio à lancha poveira, já lá vão 13 anos, mas José Ferreira não pensa em abandonar: “a lancha é como as mulheres, a gente apaixona-se e depois fica agarrado. Dá muito trabalho, o mar não está sempre bem-disposto, mas a cumplicidade e o companheirismo que existe entre os tripulantes é enorme”.

A Voz da Póvoa (6 Julho 2011), p. 5.

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