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Os Braços da Lancha - Vitoriano Ramos

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Vitoriano Ramos nasceu na Póvoa de Varzim em 1956. Frequentou o Instituto Superior de Engenharia, mas desistiu para apostar numa carreira profissional de futebol. Fez a sua formação futebolística no Varzim, onde chegou a internacional Esperança. Foi campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelo Futebol Clube do Porto.

Vitoriano Ramos cresceu com os filhos dos pescadores e as brincadeiras tinham como cenário o mar: “ainda hoje as minhas amizades são quase todas ligadas ao mar. Não segui o rumo da minha família. O meu pai era pescador e o meu avô, para além de ter navegado nas catraias e nas lanchas durante muitos anos, também andou nas primeiras motoras. Foi mestre do S. Francisco Xavier”.

Habituado a ver ondas na bancada, Vitoriano Ramos quis experimentar a sensação das ondas do mar. “Era treinador adjunto do Varzim, mas uma nova direcção rescindiu com a equipa técnica. Com o tempo livre, alguns amigos tripulantes da lancha convidaram-me para dar um passeio na costa poveira. Uns dias depois participamos nos encontros de embarcações tradicionais de Vila do Conde, seguiu-se Lanheses e Cambados. Gostei tanto da experiência que nos últimos sete anos participei em praticamente todas as viagens”.

As incidências da viagem entre Lanheses e Cambados acabaram por reforçar a vontade de ser tripulante: “o encontro de Cambados foi na semana seguinte a Lanheses, pelo que a lancha ficou fundeada no rio Minho. Com a maré baixa e o rio assoreado, foi necessário tirar o leme para sair rumo à foz. Já no mar galego, o motor parou. Como tínhamos vento norte, armamos mastro, verga e vela, e o mestre rumou ao portinho de Lá Guardia para ver o que tinha acontecido ao motor. A entrada na barra foi uma experiência única. Foi aí que perdi o medo e ganhei confiança absoluta no mestre. Entrar em grande velocidade, arrear rapidamente a vela, travar a lancha com remos e parar no sítio exacto, foi uma coisa extraordinária”.

Não foi possível reparar o motor, mas a organização mandou um rebocador: “saímos à moda antiga, meia hora a remar até junto do rebocador. Em Cambados estavam duas centenas de embarcações. Mas a regata foi cancelada pela organização porque estava muito vento. No entanto, o mestre Agonia virou-se para a tripulação e disse que estava um bom vento para a Fé em Deus navegar. Fomos os únicos a sair para gáudio de milhares de pessoas que estavam no cais”, concluiu Vitoriano Ramos.

O tripulante recorda também Manuel Lopes: “era meu vizinho e embora convivêssemos pouco, respeitávamo-nos muito. Foi na lancha poveira que o conheci melhor. Senti sempre que era uma pessoa de forte personalidade, um lutador que procurava transformar desejos em realidades. A Lancha foi uma das suas lutas. Daí a necessidade de captar gente nova para aprender as artes de navegar à vela. Ninguém dura sempre. Um dia será a nossa vez de passar o testemunho”.

Vitoriano Ramos explica porque é que se sente honrado por ser tripulante da lancha poveira: “guardo das viagens muitas emoções, umas mais atribuladas, outras sem grandes sobressaltos. Nas viagens para a Galiza houve sempre muita nortada, que é o mesmo que levar chapadas de água durante dozes horas seguidas. Mas o convívio e a amizade entre os tripulantes compensam tudo. Ninguém esquece os almoços feitos a navegar, as conversas, as gargalhadas, os momentos de silêncio onde só o mar fala. Depois destes anos passados na lancha, onde quase tudo se faz com força braçal, consigo perceber o quanto os nossos antepassados passaram para ganhar o pão de cada dia”.

A Voz da Póvoa (28 Setembro 2011), p. 15.

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