Lancha Poveira

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Sobre a Lancha

Os Braços da Lancha - Mestre Nia Preu

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

A lancha poveira do alto “Fé em Deus” celebrou, quinta feira, 20 anos. Decorria o ano de 1991 quando, a 15 de Setembro, uma multidão de orgulhosos poveiros assistia ao bota abaixo da tradicional embarcação da Póvoa de Varzim. O mestre Nia Preu, como é conhecido na classe piscatória, recorda esse momento especial: “foi o mestre Antoninho que deu o grito do bota baixo.

A lancha saiu para a água com tanta gente que até fiquei em terra. Depois vieram buscar-me, saltei a bordo e, ao içar a vela, o Antoninho sentou-se ao meu lado e tomei conta do leme. Fomos fazer o Ala Arriba para o cais sul, onde está hoje a marina. Como era função do mestre, lancei o Estai para terra, o cabo com que as mulheres puxavam os barcos. Primeiro arreava-se a vela, depois o leme era puxado para bordo e encostava-se à terra sempre de ré. O acto de puxar os barcos para a areia era designado por varar. As mulheres atiravam-se pelo mar dentro, caçavam o Estai e puxavam o barco para terra”.

Mestre Nia Preu

Nascido na Povoa de Varzim, em 1935, Manuel Agonia foi para o mar com nove anos e por lá andou 48. O mestre da lancha poveira recorda o convite para ser o homem do leme. “Quando a Fé em Deus estava em construção, o Manuel Lopes convidou-me para o bota abaixo da lancha. Ele sabia que eu tinha andado ao mar no tempo das velas. Fui mestre da catraia “Ao Gosto dos Filhos”, que tinha cerca de oito metros e pescava sardinha. Eu conhecia bem as lides da vela, içar, cambar e andar ao leme. Em miúdo andei com o meu pai a pescar à faneca, na catraia “Egas Moniz”, que teria entre nove a dez metros. Depois experimentei no mar todos os modos de vida. Quando me chamaram para a lancha tinha consciência que era capaz de desempenhar a função”, explicou o mestre.

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Os Braços da Lancha - Luís Diamantino

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Com “Fé em Deus” passam vinte anos e outros tantos se passarão se as vontades forem força. Manuel Lopes comandou a vida pelo sonho transformado realidade: ver a lancha dos poveiros tomar a dianteira ao tornar-se no maior símbolo da cidade.

Quando tomou posse como vereador da Educação e Cultura da Póvoa de Varzim, Luís Diamantino propôs a lancha poveira como símbolo da cidade: “começamos a oferecer aos nossos visitantes ilustres uma miniatura da lancha poveira em prata ou metal, símbolo da coragem do pescador poveiro.

Entendemos também dar um impulso não só na manutenção, como na promoção das actividades que a lancha poveira tem feito ao longo dos anos, com destaque para a participação em encontros de embarcações tradicionais, onde tem personificado o que é de facto a alma do poveiro”.

Luís Diamantino, que integrou o corpo docente da Escola Eça de Queiroz, recorda que a sua meninice foi passada no Bairro Sul: “já corri três bairros mais antigos da Póvoa, mas foi no Bairro Sul que tive esse encontro prematuro com os pescadores.

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Os Braços da Lancha - Vitoriano Ramos

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Vitoriano Ramos nasceu na Póvoa de Varzim em 1956. Frequentou o Instituto Superior de Engenharia, mas desistiu para apostar numa carreira profissional de futebol. Fez a sua formação futebolística no Varzim, onde chegou a internacional Esperança. Foi campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelo Futebol Clube do Porto.

Vitoriano Ramos cresceu com os filhos dos pescadores e as brincadeiras tinham como cenário o mar: “ainda hoje as minhas amizades são quase todas ligadas ao mar. Não segui o rumo da minha família. O meu pai era pescador e o meu avô, para além de ter navegado nas catraias e nas lanchas durante muitos anos, também andou nas primeiras motoras. Foi mestre do S. Francisco Xavier”.

Habituado a ver ondas na bancada, Vitoriano Ramos quis experimentar a sensação das ondas do mar. “Era treinador adjunto do Varzim, mas uma nova direcção rescindiu com a equipa técnica. Com o tempo livre, alguns amigos tripulantes da lancha convidaram-me para dar um passeio na costa poveira. Uns dias depois participamos nos encontros de embarcações tradicionais de Vila do Conde, seguiu-se Lanheses e Cambados. Gostei tanto da experiência que nos últimos sete anos participei em praticamente todas as viagens”.

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Os Braços da Lancha - José Teixeira

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Em 20 anos, a lancha poveira do alto teve muitos braços a alar o vento, que por motivos diversos foram saindo e dando o lugar a outros. José Teixeira nasceu na Póvoa de Varzim em 1959. Trabalhou num laboratório, tornou-se pescador aos 18 anos, foi funcionário público e actualmente é profissional de metalomecânica, em vários países. Depois de 13 anos consecutivos como tripulante, José Teixeira reconhece que a emigração acabou com a assiduidade: “há oito anos que deixei de poder integrar a tripulação. Quando trabalhava na Corunha, ainda fui ter com a tripulação aos encontros de Cambados. Sempre que se proporciona navegar na lancha, como aconteceu no 1º encontro de Embarcações Tradicionais da Póvoa de Varzim, digo presente, porque quem integra aquela tripulação não quer mais sair”.

José Teixeira

Descendente de pescadores, José Teixeira conta como se tornou tripulante: “quando soube que estavam a fazer uma réplica da lancha poveira, fui acompanhando a construção e só não estive no bota abaixo porque fui para o Algarve competir num concurso de pesca desportiva. A minha primeira viagem foi a La Guardia, na Galiza. A lancha está-me no sangue, temos uma sigla de família Os meus tetravôs eram pescadores, mas nas últimas três gerações fui o único pescador na família”.

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Os Braços da Lancha - Francisco Franco

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

A lancha poveira do alto traz o mar na memória. São 20 anos temperados de sal e doce convívio entre os tripulantes que vestem ou vestiram a pele de lobos-do-mar. Nascido na Póvoa de Varzim em 1971, Francisco Franco é mecânico de automóveis, desde os 14 anos de idade, e tornou-se tripulante da lancha a convite de um amigo.

Todas as viagens na lancha deixam histórias para contar como diz Francisco Franco: “tive um baptismo que não esqueço. Fomos a Combarro, éramos 13 pessoas a bordo. Quando saímos o mar estava muito encrespado. A lancha voava e caía com estrondo na vaga seguinte. Era assustador e quase toda a gente enjoou. Muitas horas depois fundeamos nas Ilhas Cies. Foi a bonança. Minutos depois estava-mos a assar e a comer bacalhau como se nada tivesse passado”.

A viagem a Cambados também deixou memória: “navegamos a motor, à vela, a remos e a reboque. Essa viagem de reboque foi de uma violência rara, levamos pancada desde La Guardia até à entrada da Ria de Arousa”, concluiu o tripulante.

Sempre que era preciso Francisco Franco desempenhava o papel de mecânico: “infelizmente raras vezes serviu, as avarias não tinham solução no mar. Na viagem para Cambados o motor bloqueou e a lancha ficou três meses na Galiza até ser reparado. Quando fomos a Ferrol a hélice desapareceu junto ao Cabo Finisterra.

No porto de mar encontramos um mecânico que gostava da pinga e antes de pôr a lancha a seco, mandou encostar numa zona de pedra. A maré desceu e a lancha rachou com o peso. Foi preciso calafetá-la. O Carlos foi à procura de hélices e trouxe seis que não serviram. Acabou por ser o Abraão, que tinha ficado na Póvoa, a levar a hélice e o braço do motor antigo”.

A Voz da Póvoa (30 Novembro 2011), p. 15.

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