Lancha Poveira

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Sobre a Lancha

Os Braços da Lancha - Ricardo Jorge Ferreira

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

“Lá sai a derradeira! Ainda agarra as que vão na dianteira…” António Nobre ficaria feliz se soubesse que a derradeira lancha poveira, navega há 20 anos na dianteira. Ricardo Jorge Ferreira nasceu na cidade da Beira, Moçambique, em 1969, e vive na Póvoa de Varzim desde 1980.

Com algumas cadeiras em falta para completar a licenciatura em Educação Física, o tripulante da Fé em Deus sempre gostou da aventura e quando foi convidado para integrar a tripulação não hesitou: “na altura estava a trabalhar como guia de eco turismo. Um dia, como o Manuel Lopes procurava sangue novo para a tripulação, o amigo Zé Pedro abordou-me para fazer uma viagem na lancha e eu aceitei o desafio”.

Ricardo Ferreira nunca mais esqueceu a adrenalina da primeira viagem: “foi a Poio, Combarro. Essa viagem tornou-se na maior aventura da minha vida. Fomos sempre à ré, porque é o lugar onde se sente menos a ondulação. Mas havia tantas curvas que eu mandei a carga ao mar sete vezes. Aliás quase toda a gente emborcou. Apercebi-me de uma coisa fantástica. Vaga após vaga, consoante descia-mos ou subíamos a onda, a proa estava sempre com um ângulo diferente em relação à onda.

Era a sabedoria do mestre Agonia, para manter a estabilidade da embarcação. Para além do conhecimento que é preciso ter, é também um esforço muito grande segurar aquele leme tantas horas em mar revolto, com vagas de cinco ou seis metros. Só descansamos quando chegamos ao conforto da ria de Vigo. Nesse momento Deus estava num barco de crianças com fé, porque a alegria era imensa”.

A Voz da Póvoa (18 Janeiro 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - Manuel Costa

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

A “Fé em Deus” navega pelos mares de Cristo há 20 anos, fruto do sonho tornado realidade por Manuel Lopes. A lancha dos poveiros perdeu o seu criador mas ganhou um continuador. Manuel Costa, director da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, nasceu em Beiriz, Póvoa de Varzim, em 1965. Licenciado em Estudos Europeus e com formação na área do património, assumiu nos últimos anos a responsabilidade de levar o projecto da lancha poveira a bom porto.

Foi ainda no papel que Manuel Costa conheceu o projecto de recuperação da embarcação tradicional Fé em Deus. “Trabalhava no museu quando Manuel Lopes me deu a conhecer o seu projecto de construção da réplica da lancha poveira do alto. Foram muitas as conversas que tivemos e me conduziram a uma consciência muito apurada do que ele pretendia.

Depois de ter assumido a responsabilidade da lancha, desafio lançado pelo vereador Luís Diamantino, procurei associar o pensamento de Manuel Lopes, em relação ao que deveria ser o projecto de recuperação e de valorização da lancha poveira para a comunidade e aquilo que é o nosso papel a partir da Biblioteca Municipal, na articulação que fazemos com as escolas, com a educação para o património, nomeadamente em relação à história e à memória da comunidade local”.

E acrescenta: “nesse sentido os 20 anos foram um pretexto para celebrarmos todo este trabalho que foi feito. Daí termos realizado o primeiro encontro de embarcações tradicionais da Póvoa de Varzim, um velho sonho de Manuel Lopes. Por isso, estas comemorações foram-lhe dedicadas, com a comunidade poveira a participar activamente nessa homenagem pública ao Manuel Lopes e a todos aqueles participaram, na concepção, construção e na activação deste projecto patrimonial”.

A Voz da Póvoa (8 Fevereiro 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - Augusto Neto

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Esta lembrança do passado, este pertencer ao mar: “fui para a Fé em Deus em homenagem ao meu pai que, foi pescador na lancha Ala Arriba, pertença de um tio meu”, revelou o poveiro Augusto Neto, nascido em 1935.

Viveu junto à Igreja da Lapa, frente ao mar, até aos 21 anos, antes de rumar para Moçambique, onde foi pescador no barco Senhor dos Milagres, durante três anos. Depois trabalhou cinco anos na Câmara Municipal de Lourenço Marques, e foi bancário até se aposentar.

O tripulante da lancha poveira recorda o tempo em que o mar da Póvoa se enchia de velas: “na minha juventude, conhecia pelo pano as lanchas Fé em Deus, S. José, Ala Arriba e a Sª Nagonia. Com as nortadas pareciam voar a navegar. A lancha S. José era do filho de uma irmã do meu pai.

Como só havia o cais norte, o abrigo mais seguro dos barcos era na areia. No defeso, as lanchas eram postas pelo braço humano no areal frente ao casino. As quatro lanchas pescaram até morrer na praia. A Fé em Deus foi oferecida ao museu mas acabou por apodrecer junto ao castelo.

A Voz da Póvoa (29 Fevereiro 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - Manuel Pereira

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

“Ainda sou da família do mestre da antiga lancha Fé em Deus. O mestre Francisco Fome Negra era primo de um dos meus avós. O meu avô pescou numa catraia e o meu pai foi pescador antes de ser empregado fabril no Quintas e na Madrugada”. É desta forma que Manuel Pereira dá o mote à nossa conversa.

Manuel Pereira
Natural da Póvoa de Varzim onde nasceu em 1950, Manuel Pereira conta como se tornou tripulante: “o José Teixeira convidou-me para fazer uma viagem à Galiza na lancha poveira. Fomos participar no Primeiro Encontro de Embarcações tradicionais de Ribeira, na Ria de Arousa, em 1993.

Participamos em encontros inesquecíveis como o Festival Internacional de Embarcações Tradicionais de Brest em 1996. Integramos a Grande Regata Brest – Douarnenez. O presidente da Câmara, Macedo Vieira, veio na lancha e comeu com a tripulação. Eu era o cozinheiro de bordo”.

No mar, por vezes, os pescadores têm soluções culinárias surpreendentes. “Numa viagem à Galiza saímos da Póvoa com o bacalhau completamente salgado. O mestre Nia disse para atira-lo ao mar dentro de um saco de serapilheira. Foi a reboque da lancha e quando chegamos a La Guardia o bacalhau estava completamente demolhado. Depois de assado ficou uma delícia”, revelou o tripulante”.

 

A Voz da Póvoa (21 Março 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - Zezé do Museu

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

“Eu levava sempre a minha ferramenta a bordo para dar um jeito a qualquer mazela da lancha”. É com estas palavras que José Maria, “o Zé-Zé do Museu”, recorda as viagens que fez como tripulante da lancha poveira.

José Maria da Silva Baptista nasceu na Póvoa de Varzim em 1944. Trabalhou no Museu da Póvoa de Varzim, onde se tornou amigo de Manuel Lopes. “Entre muitas outras criações fiz muitas miniaturas a representar as tradições poveiras. Trabalhei na montagem de muitas exposições no museu e na biblioteca, que na altura ficava na Praça Luís de Camões. O Manuel Lopes era director do museu e da biblioteca. A nossa amizade acabou por me levar para a lancha Fé em Deus”.

Como funcionário do museu e da biblioteca, José Maria recorda o tempo em que a lancha poveira era ainda um sonho: “o projecto da lancha não saia das mãos e da cabeça do Manuel Lopes. Quando se arrancou para a construção da lancha, só não vi o abate das árvores para a quilha. Todos os dias íamos os dois ver a lancha a aparecer.

O Manuel Lopes registava todos os passos da construção. Tirou fotografias desde o abate das árvores até ao último prego. Pedia para lhe ligarem do estaleiro quando estivessem a colocar as principais estruturas da embarcação, como a carlinga, as panas, escotilhas de proa e ré, o leme, o albaçuz e as chumaceiras.

Ainda participei no Ala-Arriba. Quem ia na lancha eram os pescadores mais velhotes. O Antoninho, que tinha pregado a primeira caverna na lancha Fé em Deus, foi o mestre do bota-abaixo. Na mesma hora passou o leme ao mestre Nia Preu”.

A Voz da Póvoa (11 Abril 2012), p. 15.

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