Lancha Poveira

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Sobre a Lancha

Os Braços da Lancha - Abílio Marques

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

A lancha poveira tem braços que nunca foram ao mar, mas é graças a eles que a embarcação mantém sempre vivas as cores que ostenta. As siglas, o peixe no bordo, a perfeição do nome Fé em Deus, têm a sua matriz nas habilidosas mãos do pintor Abílio Marques.

Por vezes é necessário fazer as tintas à moda antiga. Por fora é tudo em aquoso. Por baixo, como está em contacto directo com a água, a tinta é diferente, chamam-lhe picoca. O vermelho cor vinho é feito com uma tinta de óleo. Como conserva mais, pinta-se também por dentro nas cavernas”.

Abílio Marques nasceu na Póvoa de Varzim em 1957. Trabalhou em Gaia numa empresa onde lacava, dourava e recuperava móveis antigos. Arte que viria a aplicar já como funcionário da autarquia poveira, nos dourados e fumados dos tectos do Salão Nobre da Câmara e no restauro de parte do mobiliário e do quadro do Cego do Maio. Antes ainda, trabalhou nos estaleiros a pintar barcos: “desenhava as letras e pintava emblemas. Pintar barcos dava-me mais umas coroas, por isso dediquei-me uns anos no Zé Viana. Também desenhei muitas letras de barcos de mestres amigos, no estaleiro do Samuel. Depois fui para a Câmara onde estou há 25 anos”.

Abílio Marques sempre deu o verde à Fé em Deus: “só não sou eu que pinto quando ela vai ao estaleiro do Samuel para uma grande restauração. Tenho muito gosto em ver a lancha sempre um brinquinho e sinto-me orgulhoso de ser o pintor da Fé em Deus. Na próxima vez, quando a lancha vier para o sequeiro para pintar, tem que ser decapada até ao osso. Já o fiz duas ou três vezes”.

A Voz da Póvoa (30 Maio 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - José Feiteira

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Como Se Fez a Fé Em Deus

A lancha poveira do alto é um barco de boca aberta, de quilha, roda de proa e cadaste. Arma uma grande vela de pendão de amurar à proa. Como não dispõe de patilhão, um leme alteado assegura essa função.

A “Fé em Deus” foi reconstruída segundo normas e modelos tradicionais locais e representa uma das últimas lanchas poveiras a ir ao mar na década de cinquenta do século passado.

“O início da construção deu-se a 27 de Fevereiro de 1991, com o levantamento da quilha no picadeiro e o bota abaixo, a 15 de Setembro do mesmo ano”, recorda João Feiteira, construtor da Lancha Poveira. E acrescenta: “embora o Alberto Marta e o Silva Pereira se tivessem envolvido no projecto, Manuel Lopes foi grande mentor e impulsionador da construção da construção da embarcação”.

João Feiteira nasceu na Póvoa de Varzim em 1925. Ainda criança começou a trabalhar no estaleiro na rua da Caverneira. Aos 18 anos de idade partiu para Moçambique, onde aprendeu todas as artes de construção naval: “cheguei a operário de primeira categoria a trabalhar nas lanchas.

Em Lourenço Marques fui funcionário da Marinha e regressei com a descolonização, em 1976. O Silva Pereira foi quem me deu guarida no Clube Naval, onde continuei a minha actividade de construtor naval. Mais tarde um, companheiro das Caxinas, hoje presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, sugeriu-me uma sociedade e compramos um estaleiro e criamos o Postiga e Feiteira”.

A Voz da Póvoa (18 Julho 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - João Castro

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

João Castro nasceu na Casa dos Pescadores da Póvoa de Varzim, em 1954, e o mar chamou-o aos 11 anos de idade. “O meu pai tinha uma motora, e como havia falta de tripulantes saiu-me em sorte ser pescador, embora não eu gostasse. Aos 24 anos fui o mestre mais jovem da embarcação. Também andei dois anos ao bacalhau, nos finais dos anos 70. Era já o tempo das bateiras, da pesca à rede e do arrasto.

Com o iodo metido no corpo, o mar enraizou-me e andei por lá uma vida. Fui pescador, arrais de pesca local, contramestre, mestre costeiro e mestre do largo, que é o máximo da mestrança. Fruto da experiência que angariei no mar, acabei a pilotar navios comerciais e de turistas”.

A primeira vez na lancha poveira aconteceu por convite do mestre Agonia Areias, em 2004, numa viagem à Galiza: “ Saímos com o vento de noroeste, que foi rodando para sudoeste. Sempre à vela com um mar ameaçador, mas a “Fé em Deus” respondia a todas as solicitações e mantinha-se firme.

Foi uma viagem um bocado atormentada com a lancha a erguer e a espalmar na onda seguinte. Aconteceram alguns enjoos”. E acrescenta: “fomos calorosamente recebidos pela organização do encontro de embarcações tradicionais. Com o tempo que estava, pensaram que acabaríamos por arribar a Fé em Deus” em qualquer porto”.

A Voz da Póvoa (22 Agosto 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - Manuel Mata

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Sábado, 15 de Setembro, a Lancha Poveira do Alto completa 21 anos. A vela tornada concha pelo vento e a quilha a rasgar todas as marés continuará a ser o destino da “Fé em Deus”, orgulho dos poveiros e de todos os que trazem o coração agarrado à cidade, mesmo quando a vida os levou para outras margens.

Manuel Mata. “Não tive opção. Com três anos e meio fui carregado para o Brasil. O meu pai foi dois anos antes arrumar a vida. Ele tinha lá um irmão e um cunhado que facilitaram a integração. Quando arrumou o dinheiro para a minha mãe e os três filhos viajar de barco, juntou a família. Nos primeiros anos, o meu pai foi pescador, mas depois deixou o mar para trabalhar numa padaria. A gente cresceu e aos dez anos começou a ajudar na padaria”, revelou-nos Manuel Mata.

A viver no Brasil onde exerce engenharia civil, Manuel Mata nasceu na Póvoa de Varzim em 1948. De visita ao berço, o mais recente tripulante explica como é que o seu destino se cruzou com a lancha poveira: “o mestre Nia falou-me da viagem a Santiago e, como sempre quis participar numa aventura dessas, ofereci-me de imediato. Foi uma viagem inesquecível. Foi o melhor que me aconteceu nestes dois meses e meio de férias”.

E acrescenta: “navegar na lancha poveira tocou-me profundamente. Quando tinha uns três anos, subia ao barco do meu avô, onde o meu pai era tripulante. Era uma embarcação com dois nomes, de um lado Santo António, do outro Sª da Agonia. Enquanto na areia puxavam os cabos (ala arriba), eu feliz da vida olhava os peixes nas cavernas do barco. Depois de 60 anos passados no Brasil, foi um renovar de sensações”.

A Voz da Póvoa (12 Setembro 2012), p. 15.

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Os Braços da Lancha - António Vianez

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

"A Fé em Deus é o mais nobre embaixador e o mais belo estandarte que a Póvoa tem". Quem o diz é António Vianez que nasceu em Moçambique há 48 anos mas reside na Póvoa desde os seis anos de idade. Licenciado em Gestão de Empresas, António Vianez foi praticante de vela no Clube Naval Povoense e no Clube de Vela Atlântico, colectividades em que ganhou títulos e atingiu várias internacionalizações. Descendente de pescadores poveiros, mantém os dois cálices na sigla de família.

"Acompanhei de perto a construção da lancha poveira porque sempre nutri uma grande amizade e admiração pelos seus construtores: João Feiteira e o António Carpinteiro. Integrei a tripulação desde o bota-abaixo, uma cerimónia com muita gente a presenciar e a colaborar. Fomos ao mar com o saudoso mestre Antoninho ao leme da Lancha. O Ala Arriba foi na fabita como era antigamente. Para cumprir a tradição, uma virgem urinou para dar sorte e abençoar a lancha. Só não fui a Brest, de resto fiz todas as viagens até à Expo 98", recordou António Vianez.

A Voz da Póvoa (7 Novembro 2012), p. 15.

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