Lancha Poveira

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Lancha Poveira foi grande em Vila do Conde

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Lancha Poveira foi grande em Vila do Conde
por Ângelo Teixeira Marques

A imponência da Lancha Poveira do Alto “Fé em Deus” voltou a admirar muitos dos observadores do IX Encontro de Embarcações Tradicionais organizado em Vila do Conde, no passado fim-de-semana, pela Associação de Ex-Marinheiros da Armada.

In: O Comércio da Póvoa de Varzim (22 de Junho 2011), p. 8.

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Um hino à vela e às embarcações antigas de pesca

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Este fim-de-semana decorreu o já habitual encontro de embarcações tradicionais de Vila do Conde. Em breve surgirão mais relatos do mesmo por várias fontes (espero encontrá-las), mas esta foi a primeira imagem que vi do evento: a Lancha Poveira do Alto "Fé em Deus" na foz do rio Ave, em todo o seu esplendor de vela, comandada pelo sabedor mestre Nia Preu.

É por estes e por outros aspectos que as embarcações tradicionais portuguesas merecem o maior apoio, na luta tão difícil que é recuperá-las activamente para a sociedade. Os amantes da vela e não só, por certo olharão com outros olhos para estas embarcações antigas de pesca, excelentes para a prática de vela. A "Fé em Deus" na imagem, é uma imponente lancha de 12,40 metros de comprimento, mas os barcos desta tipologia podiam ir dos cerca de 3 metros aos quase 17 de comprimento e como tal as possibilidades de aplicação são muitas.

In: Caxinas... de "Lugar" a Freguesia | Por: Cachinare
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IX Encontro de Embarcações Tradicionais de Vila do Conde - Rio Ave 2011

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Diploma de Participação no Encontro

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Os Braços da Lancha - Abraão Cruz

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

“Convém não esquecer que a lancha poveira existe porque houve um senhor chamado Manuel Lopes, caso contrário estou convencido que não teríamos a Fé em Deus”, é com esta convicção que Abraão Cruz abre o livro das recordações, da mais conhecida e representativa embarcação tradicional da Póvoa de Varzim.

Abraão Cruz nasceu perto da igreja da Lapa, em 1946. Para além da família tem dois amores, a lancha poveira, onde é tripulante desde o bota-abaixo e os aviões, sendo presidente do Aeroclube do Norte. É com alguma saudade que recorda o mar da sua meninice: “fiz parte daquela miudagem que ia dar banho nu. Fazíamos uma cova na areia, enterrávamos as roupas e era tudo nosso. Como íamos muitas vezes para a ponta do cais norte ver as pessoas pescar, retenho na memória o privilégio de assistir à saída das célebres lanchas poveiras. Antes de passar a barra, os pescadores tiravam as boinas, benziam-se, rezavam e só depois começavam a faina. Mastro no ar, montagem do cordame, vela ao vento e lá iam mar fora”.

A ligação à lancha poveira foi para Abraão Cruz fruto de algumas coincidências: “estou ligado à lancha desde a sua construção. Um dia, a conversar com João Feiteira, construtor da lancha Fé em Deus, conjuntamente com o senhor António, fiquei a saber que ele tinha sido, em Moçambique, colega do meu pai, que eu não conheci porque fiquei órfão muito menino. Eram ambos carpinteiros navais. O facto criou entre nós uma ligação efectiva que nunca mais descorei. Foi ele que desenhou e calculou a lancha poveira, respondendo ao desafio lançado por Manuel Lopes à autarquia e ao Clube Naval. A amizade pelo meu pai levou-o a convidar-me para pregar um prego na lancha. Este seu gesto foi muito emocionante para mim”, recorda o tripulante.

Os poveiros viveram com muita alegria o bota-abaixo: “foi uma festa extraordinária com o rancho poveiro, o grito no bota-abaixo, o Ala-Arriba da lancha para seco. Lembro-me de alguns tripulantes, como o tio Cavalheira, o José Maria, o Lázaro, o mestre Agonia, que só não foi o homem do leme no bota-abaixo. Alguns já faleceram, como o Ti Zé Poveiro, pai do tripulante Carlos Flores. Houve também um grupo significativo de velejadores do Clube Naval, onde fui director e fez vela muitos anos”.

Em duas décadas de navegações, há momentos que não se esquecem mais: “a viagem à Expo98 é inesquecível pelos vários incidentes que obrigaram a improvisar soluções. Quando partimos a verga, o mestre Agonia, um homem forjado nas andanças da pesca do bacalhau, valeu-se da sua experiência para com o pano montar um tipo de vela latina em pequenas dimensões, mas que dava para a lancha navegar apoiada pelo motor. Fomos assim até Peniche. Recordo também uma viagem a Bouzas com nevoeiro cerrado, sem qualquer aparelho de navegação, apenas com os saberes do mestre Agonia e do Victor Castro. Encontramo-nos à entrada da Ria de Vigo proa com proa com um barco da organização, que deixou espantado o seu timoneiro”.

Com 20 anos de tripulante, Abraão Cruz manifesta um desejo: “ Espero que a autarquia continue a apoiar este ex-líbris da Póvoa e procure realizar os grandes sonhos do Manuel Lopes. A construção de uma nova lancha e a criação de um espaço coberto para a lancha, em doca molhada, criando um Centro Interpretativo para os nossos jovens. Nós vivemos a pensar no futuro, mas o nosso passado tem um peso significativo e não nos podemos esquecer disso. Tenho muito orgulho em pertencer à tripulação da lancha poveira”.

A Voz da Póvoa (15 Junho 2011), p. 15.

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Os Braços da Lancha - José Ferreira

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Os Braços da Lancha - José Ferreira
por José Peixoto

Desde o bota abaixo, em Setembro de 1991, que a lancha poveira do alto fez dezenas de viagens, algumas de longa distância, como a Expo98, ou a participação em encontros de embarcações tradicionais na Galiza.

Para que a lancha possa responder positivamente, há um grande trabalho de logística que antecede as viagens, como esclarece José Ferreira, um dos elementos da tripulação.

“Para a lancha sair todos os documentos tem que estar em dia, incluindo os seguros de toda a tripulação. É preciso verificar se todo o material de segurança está em ordem, extintores, bóias, coletes ou as cartas marítimas para a viagem. É preciso comprar comida e bebida para bordo e, com antecedência, reservar dormidas para os tripulantes”.

José Ferreira nasceu na Póvoa de Varzim em 1962 e é funcionário da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. A sua ligação à lancha poveira começou com os preparativos da viagem para a Expo98. “Nesse tempo a tripulação era constituída maioritariamente por homens do mar. O meu apoio foi todo nos bastidores. Na Expo, a lancha deu muito trabalho, teve vários incidentes, partiu o mastro, a verga, o leme e foi preciso substituir tudo. Na altura que o mastro partiu, o Manuel Lopes foi arrastado pela vela, partiu a bacia e foi hospitalizado. A lancha esteve na Expo cerca de quatro meses e sempre que havia uma actividade, a tripulação ia de autocarro até Lisboa. A partir daí, prestei sempre apoio a Manuel Lopes e agora a Manuel Costa, na preparação das viagens”.

José Ferreira recorda os primeiros passos como tripulante: “foi na inauguração do monumento ao pescador do bacalhau, nos terrenos do cais frente ao Casino. Nesse dia eram precisos mais braços. Foi a primeira vez que entrei na lancha como tripulante. Saímos da barra e fomos navegar na costa poveira. A partir daí nunca falhei uma viagem”.

O baptismo por mares galegos também não esquece mais: “fomos a Combarro e navegamos sempre num mar revolto. Alguns tripulantes enjoaram e passaram um mau bocado. Mas também houve um tripulante, o Franco, que foi sempre a dormir na caverna de proa, no meio das tralhas e sacos de roupa, o lugar mais difícil de suportar sem enjoar. Sem perceber que vento era aquele, que fazia erguer o mar à nossa frente com vagas que nunca tinha visto, fiquei descansado quando o Victor Castro disse que estávamos bem, que o vento era bom e a lancha estava a responder ao mar. Acomodei-me no meio de uns cabos junto ao mestre e fui ali toda a viagem”, recorda José Ferreira.

Outra viagem que José Ferreira não esquece foi a Ferrol, onde aconteceu de tudo: “depois de passar o Cabo Finisterra perdemos a hélice do motor. No pequeno porto de Finisterra a lancha abriu uma fenda e começou a meter água, foi preciso o mestre, o Carlos e o Victor calafetá-la e pregar umas tábuas. Veio toda remendada, mas nunca mais meteu água. Frente a Esposende, com um bom vento norte a fazer a lancha bolinar a toda a força, o mastro partiu e mandou-se com a verga e a vela à água. Com uma intervenção rápida da tripulação, tudo voltou para dentro da lancha”.

Entre navegar e dar apoio à lancha poveira, já lá vão 13 anos, mas José Ferreira não pensa em abandonar: “a lancha é como as mulheres, a gente apaixona-se e depois fica agarrado. Dá muito trabalho, o mar não está sempre bem-disposto, mas a cumplicidade e o companheirismo que existe entre os tripulantes é enorme”.

A Voz da Póvoa (6 Julho 2011), p. 5.

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