Renascer Para Navegar

Versão para impressão
AddThis Social Bookmark Button

Renascer para navegar
por José Peixoto

A 27 de Fevereiro de 1991 dava-se o levantamento da quilha no picadeiro. Data da maior tragédia marítima para a colmeia piscatória poveira acontecida em 1892. Seis meses e alguns dias depois, a 15 de Setembro de 1991, cerca de duas mil pessoas testemunhavam o Bota-Abaixo. Ou seja a condução do barco de onde está varado até à linha da maré.na enseada do Porto de Pesca.

A Voz da Póvoa, na sua edição de 19 de Setembro de 1991, deu a toda a primeira página uma fotografia da Lancha Poveira e um só título “BOTA-ABAIXO”. Nas duas páginas dedicadas ao acontecimento podia ler-se: “fruto de uma ideia de Manuel Lopes, director do Museu Municipal de Etnografia e História, e da sua persistência, a cerimónia do «Bota-Abaixo» da Lancha «Fé em Deus» constituiu igualmente o resultado da vontade colectiva.

Câmara Municipal, Clube Naval Povoense e classe piscatória deram as mãos, unindo esforços para a recuperação deste tesouro cultural”. Concretizava-se o sonho e retomava-se o saber-fazer de uma embarcação que simboliza e identifica toda uma comunidade.

Para que a vontade nunca esmoreça, a “Fé em Deus” festejou, sábado, os 21 anos de navegações, com mais uma saída ao mar da Póvoa. Manuel Costa, director da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, juntou-se à tripulação comandada pelo mestre Agonia Areias, que desde a primeira hora é o homem do leme da lancha poveira do alto.

O mar recebeu a “Fé em Deus” com a inquietude própria das marés que chamam o Outono, mas o vento compareceu sem vontade de agarrar o pano. Ancorada no seu ninho de água, a lancha desdeixou o mar. Mas promete voltar porque «a Lancha Poveira renasceu para navegar».

Ver mais aqui ->

Ficheiro PDF ->