Energia: Projeto eólico para a Póvoa de Varzim põe em causa segurança dos pescadores

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Energia: Projeto eólico para a Póvoa de Varzim põe em causa segurança dos pescadores
06 de Outubro de 2011, 14:48

O projecto de energia eóloca "WindFloat", a instalar ao largo da Póvoa de Varzim, poderá "pôr em causa a segurança dos pescadores", alertou hoje o presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar.

É que as cerca de "30 embarcações" de pesca local que navegam na zona "não vão conseguir detectar" aquela estrutura, explicou hoje José Festas, em conferência de imprensa.

Para evitar o risco de colisão, a solução passaria por "actualizar, não só todos os GPS das embarcações locais, mas também as cartas de navegação", explicou o também armador.

 

Para José Festas a colocação de um edital na Capitania da Póvoa de Varzim e a sinalização do equipamento com bóias, tal como está previsto, "não será suficiente e vai pôr em risco a segurança dos pescadores da zona".

 

O "WindFloat", da EDP, é uma tecnologia semi-submersível, semelhante a uma plataforma petrolífera com três pilares, sendo que num deles é instalada a torre eólica, com uma turbina.

A estrutura foi montada em terra e deverá chegar à Póvoa de Varzim na próxima semana, sendo depois rebocada até ao local onde produzirá energia, ou seja, a seis quilómetros da orla litoral, na freguesia de Aguçadoura, a cerca de 60 metros de profundidade.

Apesar de "os pescadores considerarem o projecto importante", José Festas lamenta "a falta de diálogo por parte da EDP" e teme a "ocorrência de acidentes", porque o equipamento só será visível para as grandes embarcações.

Os pequenos barcos de pesca, da Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, são muito rápidos e, sobretudo durante a noite, "não vão conseguir detectar a estrutura", alertou José Festas que teme pela "vida dos pescadores".

José Festas disse ainda desconhecer a área exacta, junto ao "WindFloat", que ficará interdita a pesca e a navegação.

"Parece que é meia milha à volta do equipamento, mas os pescadores também não sabem ao certo, porque ninguém nos informou de nada", sublinhou.

O presidente da associação chamou ainda a atenção para as âncoras, que já foram colocadas no local, e que "destruíram as artes dos pescadores".

Tudo isto vem contribuir, ainda mais, "para o agravamento da situação financeira com que, nos últimos anos, se deparam os homens do mar".

José Festas garantiu, no entanto, que os pescadores "não se vão manifestar contra esta tecnologia", porque a conferência de imprensa serviu apenas "como um alerta".

É que se ocorrerem acidentes, "a responsabilidade não será de quem anda no mar", avisou.

Depois de ser instalado, o "WindFloat" será monitorizado por um período de cerca de dois anos.

A partir de 2014, a EDP, que tem os direitos assegurados da comercialização desta tecnologia, pretende avançar para a construção de um mini-parque, com cerca de cinco unidades, como avançou, recentemente a empresa, durante a apresentação do projecto.

Segue-se a comercialização do equipamento.

@Lusa