Os Braços da Lancha - Augusto Neto

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

Esta lembrança do passado, este pertencer ao mar: “fui para a Fé em Deus em homenagem ao meu pai que, foi pescador na lancha Ala Arriba, pertença de um tio meu”, revelou o poveiro Augusto Neto, nascido em 1935.

Viveu junto à Igreja da Lapa, frente ao mar, até aos 21 anos, antes de rumar para Moçambique, onde foi pescador no barco Senhor dos Milagres, durante três anos. Depois trabalhou cinco anos na Câmara Municipal de Lourenço Marques, e foi bancário até se aposentar.

O tripulante da lancha poveira recorda o tempo em que o mar da Póvoa se enchia de velas: “na minha juventude, conhecia pelo pano as lanchas Fé em Deus, S. José, Ala Arriba e a Sª Nagonia. Com as nortadas pareciam voar a navegar. A lancha S. José era do filho de uma irmã do meu pai.

Como só havia o cais norte, o abrigo mais seguro dos barcos era na areia. No defeso, as lanchas eram postas pelo braço humano no areal frente ao casino. As quatro lanchas pescaram até morrer na praia. A Fé em Deus foi oferecida ao museu mas acabou por apodrecer junto ao castelo.

A Voz da Póvoa (29 Fevereiro 2012), p. 15.

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