Os Braços da Lancha - Zezé do Museu

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Os Braços da Lancha
por José Peixoto

“Eu levava sempre a minha ferramenta a bordo para dar um jeito a qualquer mazela da lancha”. É com estas palavras que José Maria, “o Zé-Zé do Museu”, recorda as viagens que fez como tripulante da lancha poveira.

José Maria da Silva Baptista nasceu na Póvoa de Varzim em 1944. Trabalhou no Museu da Póvoa de Varzim, onde se tornou amigo de Manuel Lopes. “Entre muitas outras criações fiz muitas miniaturas a representar as tradições poveiras. Trabalhei na montagem de muitas exposições no museu e na biblioteca, que na altura ficava na Praça Luís de Camões. O Manuel Lopes era director do museu e da biblioteca. A nossa amizade acabou por me levar para a lancha Fé em Deus”.

Como funcionário do museu e da biblioteca, José Maria recorda o tempo em que a lancha poveira era ainda um sonho: “o projecto da lancha não saia das mãos e da cabeça do Manuel Lopes. Quando se arrancou para a construção da lancha, só não vi o abate das árvores para a quilha. Todos os dias íamos os dois ver a lancha a aparecer.

O Manuel Lopes registava todos os passos da construção. Tirou fotografias desde o abate das árvores até ao último prego. Pedia para lhe ligarem do estaleiro quando estivessem a colocar as principais estruturas da embarcação, como a carlinga, as panas, escotilhas de proa e ré, o leme, o albaçuz e as chumaceiras.

Ainda participei no Ala-Arriba. Quem ia na lancha eram os pescadores mais velhotes. O Antoninho, que tinha pregado a primeira caverna na lancha Fé em Deus, foi o mestre do bota-abaixo. Na mesma hora passou o leme ao mestre Nia Preu”.

A Voz da Póvoa (11 Abril 2012), p. 15.

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